16/11/2009 13:54:00
Simples em relação ao seu acabamento interno, o Agrale 13000 apresenta mecânica privilegiada, representando bem a categoria dos médios
Ideais para operações mistas, atendendo desde a distribuição urbana até as curtas e médias rotas rodoviárias, o caminhão médio é um excelente negócio para alguns nichos do mercado — como operações de coleta e entrega, distribuição de bebida, transferência ou atividades no campo. Não por acaso, os médios tomaram conta de 10% do mercado até agosto deste ano, derrubando a tese dos mais apocalípticos de que os modelos dessa categoria tenderiam a desaparecer. Claro que, conforme a logística foi se tornando mais madura, houve a precisão de caminhões direcionados para cada setor do transporte, não havendo a necessidade de os veículos médios cobrirem praticamente todos os ramos — como ocorreu durante anos até meados de duas décadas atrás.
Quando a Agrale desenvolveu o 13000, primeiramente em 2006, com a configuração 4x2, e, na Fenatran de 2007, com o 6x2, sabia que o transporte nesse segmento estava bastante direcionado. E, por essa razão, bastava, como ferramentas de sedução, um veículo resistente, econômico e de baixo custo de aquisição e, claro, de manutenção.
No que tange à resistência, a marca tem argumentos de sobra, por meio da renomada linha de caminhões 8500 e 9200 e do off-road Marruá, que abastece o Exército Brasileiro e outros países da América do Sul.
Além das características citadas, o médio da fabricante de Caxias do Sul, RS, atrai por muito mais. Equipado com motor MWM International 6.10 TCA, de 6 cilindros, possui uma potência de 173 cv a 2 400 rpm. Já conhecido por prover alguns modelos do mesmo segmento, como o Volkswagen 15.180, o item se diferencia, segundo a própria MWM, por possuir integrado ao bloco componentes como bombas de água e de óleo, assim como o resfriador de óleo.
O fato é que a Agrale optou por esse propulsor de motorização mecânica, mas que atende à Euro 3, justamente pelo baixo custo de manutenção devido ao fácil manuseio. “O motor não precisa ser retirado, graças às suas camisas úmidas removíveis e aos cabeçotes individuais. Com isso, o conserto é mais simples, não há necessidade de levá-lo a uma retífica, basta apenas comprar o kit e trocar. Assim, o custo e o tempo do caminhão parado são menores”, destaca Valmor Michelon, analista de marketing do produto da Agrale.
A caixa de câmbio que equipa o 13000 é a Eaton F5 5406A, de 6 marchas, que se traduz em aproveitamento, devido ao melhor escalonamento, não havendo vácuo entre uma troca de marcha e outra, mantendo o veículo sempre na faixa verde, sem comprometer o consumo. “A primeira impressão que tenho é de um caminhão com um aspecto de automóvel, como deve ser um modelo que opera em atividades urbanas, até para não cansar o motorista. O engate das marchas é macio e as trocas são precisas”, ressalta João Moita — motorista de teste profissional — convidado pela Revista TRANSPORTE MUNDIAL para esta avaliação.
Multifaces
Versatilidade é uma qualidade que foi dada ao médio da Agrale, pois ele apresenta atributos parecidos aos daqueles pequenos veículos indicados para o tráfego do grande centro expandido, a começar pelas barras estabilizadoras nos eixos dianteiros e traseiros. Vale dizer que a marca gaúcha oferece o componente de série nos eixos traseiros. “Faz uma grande diferença esse item, pois o torna mais estável, principalmente nas curvas fechadas”, diz Moita.
De acordo com a fabricante brasileira, a ideia de colocar o item de série no 13000 teve como objetivo atender, especialmente quem trabalha no transporte utilizando o implemento tipo baú. “Nesse tipo de atividade, a carga fica posicionada em uma certa altura dentro do baú e pode sofrer impactos nas curvas. Com as barras estabilizadoras na parte traseira, o motorista se sente mais seguro, porque não tem a sensação de a mercadoria estar se movimentando”, explica Michelon.
Apesar de a sua inclinação urbana, uma vez que o 13000, ao menos o avaliado, não oferecia uma relação de diferencial mais longa e nem um câmbio com overdrive, a Agrale ressalta que pode dispor de fábrica, dependendo da necessidade do cliente, de um eixo com uma relação mais longa. De série, o caminhão médio é oferecido ao mercado com uma relação de 4,63:1. Disponível inicialmente com entre-eixos de 4 800 mm, o Agrale 13000 tem comprimento total de chassi de 8 554 mm e comprimento máximo de carroceria de 6 930 mm.
Um brasileiro que nunca desiste
Na descida da serra pela rodovia Anchieta, o freio-motor respondeu bem às necessidades. Carregado quase no seu limite de PBT (Peso Bruto Total) de 12 960 kg, trafegou a 50 km, em 4ª marcha e a 2 500 rpm. Manteve-se assim até o final do trecho, já que a movimentação de veículos estava mediana na ocasião do teste. Foi possível colocar à prova o freio-motor — que segurou bem, não havendo a necessidade de intervenção do freio de serviço, inclusive nos pontos mais declives da serra.
Ao nível do mar, a 80 km/h, o ponteiro do conta-giros indicou 2 000 rpm, em 6ª simples quase no limite da faixa verde, o que para Moita poderia influenciar em um resultado melhor, “porém isso se justifica pelo fato de o 13000 ter o seu trem-de-força desenvolvido para atender aos trechos urbanos”.
No final da viagem-teste, de volta ao Planalto Paulista, pelo mesmo sistema Anchieta-Imigrantes, o Agrale se mostrou desenvolto, até pelas suas dimensões e pelos 173 cv que oferta até 2 400 rpm. Em 5ª marcha, perto dos 60 km, no conta-giros oscilava entre 1 600 e 1 700 rpm.
Quando testamos o 13000 4x2 na edição nº 53, novembro de 2007, ele fez uma média de consumo de 4,01 km/l, nos 269 km percorridos. Repetimos a dose e valeu a pena, o veículo causou impressões positivas. No mesmo trecho do sistema Anchieta-Imigrantes, mais que comprovar a sua produtividade, legitimou tratar-se de um veículo econômico, fez 4,61 km/l e rodou um pouquinho mais na estrada, 282,2 km. Obviamente, o motorista é determinante no resultado final do consumo, o que prova a importância do treinamento. Mas um caminhão bem ajustado faz a diferença. O Agrale 13000 pode não ter itens de sofisticação dentro da cabine, mas, quem preza por eficiência encontrará nele um caminhão bastante producente e versátil.
Fernando Fischer / texto: Andrea Ramos * teste: João Moita
Imagens Bruno Guerreiro
Anderson Dantas , em 22/03/2010 - 08:13
A Agrale tem que mostrar para as concorrentes que também pode produzir caminhões competitivos, pois temos aqui no Brasil todos os fornecedores que ela precisa, além de ser um dos maiores mercados de caminhões do mundo, ela deveria atuar também na l...
Roberto , em 18/02/2010 - 20:01
Temos que incetivar a agrale pois é 100 nacional, devemos acreditar, e a dar confiança, e ñ fazer como fizeram com a Gurgel, que as grandes a boicotaram.